Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Juliana Moraes e Márcia Milhazes no Teatro de Dança


Nos dias 17 a 19 de julho, a paulistana Juliana Moraes e a carioca Márcia Milhazes dividem criações no palco do TD – Teatro de Dança para apresentar suas coreografias no programa Bem Casado, que consiste em apresentações de dois espetáculos na mesma noite, de artistas-criadores oriundos de cidades diferentes.

Para iniciar as apresentações, Moraes estará no palco com 3 Tempos Num Quarto Sem Lembranças. A artista vem de personagens como Lady MacBeth, de Shakespeare (Querida Sra. M), Rachel Whiteread (Corpos Partidos), a Ofélia shakespeariana (Querida Senhorita O.) e Francesca Woodman (Antes da Queda).

Em seguida, Milhazes põe no palco a coreografia A Moça, inédita em São Paulo, estrelado por Fernanda Reis, uma das melhores bailarinas de sua geração (foto). Conforme diz Márcia, o trabalho apresenta ''sussurros como ventos soprados na alma, carregadas de paisagens simbólicas de sonhos e intimidade... e , assim, a bailarina escreve para si mesma e tece um crochê, que recorta um romance pessoal, e se faz mergulhar nas águas profundas da sua natureza.''

Pelo espetáculo Tempo de Verão, de 2007, Márcia recebeu vários prêmios da crítica especializada. Em agosto de 2008, estreou em São Paulo Meu Prazer, coreografia em que quatro bailarinos são embalados por composições de Villa-Lobos, Ernesto Nazareth e Francisco Alves.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

O Alê está na cozinha

A massa ainda reina nas mesas da cidade
Nesta época do ano, com este friozinho, só penso em boa mesa. Automaticamente, é sempre um prato fumegante de massa que imagino... com molho de tomate salpicado de manjericão fresquinho, ou então numa simples pasta com azeite, alho queimado e queijo ralado. Nas minhas andanças por restaurantes de São Paulo (visito vários, pois ultimamente a maioria das reportagens que tenho feito são sobre gastronomia), descobri que poucas casas tem tido muitos clientes, nestes tempos bicudos. Reflexos da crise econômica? Não sei... talvez... Tenho obsevado, no entanto, que os restaurantes que servem massa estão sempre cheios, animados.
Crise ou não, a massa é um prato aconchegante, talvez por isso consiga reunir muita gente ao seu redor... Muito se discute se este prato nasceu na China ou na Itália... um debate é sem fim entre chefs, gastrônomos e amantes deste prato reconfortante.
O certo é que a arte de criar pastas hoje é dominada pelo povo italiano. Longa, curta, em fios, fitas, curvada, canelada, irregular, em formato de borboleta, a massa admite, além de formas diversas, cores, texturas, consistência e sabores diversos. Por isso é considerada na culinária um alimento dos mais mágicos. Dependendo do aspecto, as sensações no paladar são diferentes. Palavra do chef Jefferson Rueda, um craque na arte da massa, que desenvolve mais de 20 diferentes em seu restaurante, o Pomodori, um dos melhores de São Paulo.
Ao contrário do movimento da cozinha molecular e super moderna, ele as faz com instrumentos como a chitarra, um aparelho artesanal muito presente na cozinha da região do Abruzzo, que corta a massa em fios de diferentes espessuras, e cuja origem data de 1800, e o bigolaro, que parece um instrumento de tortura medieval e que faz uma massa deliciosa.
Além de Rueda, outros chefs da cidade começaram a desenvolver pastas artesanais, caprichadas, feitas muitas vezes uma a uma, ou então em aparelhos antigos como aqueles usados pelas nonnas nas províncias longínquas, onde as sofisticações da gastronomia não chegam. Exemplos não faltam.
O Pastifício Pissani, por exemplo, oferece pastas frescas e recheadas, preparadas de forma quase que artística. Já imaginou uma pasta quadrada recheada de caviar? Pois a casa tem uma... com Beluga (e custa R$ 130,00 o quilo, imagina?). Aberta em dezembro de 2007 nos Jardins, por Carlos e Chris Pissani, a casa é inspirada nos pastifícios das cidades do interior da Itália. Tem massas frescas e recheadas, todas elaboradas artesanalmente uma a uma. Todas trazem formatos exclusivos e apresentam recheios muito especiais, como cordeiro com cerveja; peru assado, com manga e erva-doce ao Pinot Noir. Há ainda as massas elaboradas com chocolate e recheada com chocolate branco e frutas vermelhas do bosque, e de doce de leite, banana e amendoim. Entre os recheios gourmets do cardápio de inverno, destaques para a massa que traz camembert com nozes e perfume de whisky; mousse de espinafre, batata com presunto cru crocante; picanha de avestruz com panaché de legumes; atum defumado e salmão com peras.
Há ainda o restaurante Aguzzo, restaurante de cozinha clássica italiana comandado por Osmânio Rezende, ex-maître do grupo Fasano e do Le Coq Hardy. Ele recria a cozinha tradicional do Vêneto no bigolaro, muito usado pelas nonnas da região de Veneza. Surgida no século XIX, a máquina é composta por um banco grande e uma alavanca e elabora dois tipos de massas: o bigoli, que lembra um spaghetti longo e grosso, e o gargati, que tem a aparência de um rigatoni. "É o metal que concede a textura da massa. Isso faz com que segure melhor o molho", diz Rezende. O cano de extrusão tem capacidade para aproximadamente 500 gramas de massa e pode ser usado para pastas com ou sem ovos.
Mas há ainda o 339 Gastronomia, das chefs Ana e Edir Nascimento, um pastifício aberto no fim de 2007 que tem mais de 20 tipos de massas premium, com recheios dos mais diversos. A ideia de abrir um endereço especializado em pastas, conta Edir, que é minha amiga, veio da época em que era cozinheira particular da família Camargo Corrêa. "Um dia a família receberia a rainha Sílvia, da Suécia, para um almoço e minha patroa me pediu para eu fazer algo muito especial. Resolvi criar uma massa feita com tiras coloridas, que seriam coladas uma na outra, recheadas com brie e amêndoa e depois enroladas uma a uma", diz a chef. O prato, batizado posteriormente como "balinha da rainha", é feito com massa tingida com tinta de cenoura, espinafre e beterraba, e se tornou o carro chefe da pequena empresa - que produz massas para boa parte das famílias poderosas de São Paulo. Além de massas artesanais, feitas uma a uma, a casa desenvolve molhos sem conservantes, como aquele que leva mel e sálvia e outro de laranja. "Crio os molhos bem clarinhos e leves, pois não devem concorrer com o sabor da massa, cujo gosto que deve se sobressair é o da farinha", diz a chef.
E há ainda os restaurantes deliciosos do Walter Mancini, na rua Avanhandava, no centro de São Paulo. Quem resiste passar por ali e não se sentar no Famiglia Mancini, criado em 1980? Um restaurante com clima alegre e acolhedor, de ambiente receptivo, que serve massas artesanais recheadas com queijos, legumes, verduras, carnes, peixes criados com cores, formas e aromas dos mais diversos.

(na foto, um cozinheiro trabalha no bigolaro)

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Um mundo menos elegante sem Pina Bausch... (como disse minha amiga Ana D´Angelo)


Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

E falando do Lume...


O Teatro SESC Anchieta do SESC Consolação estreia no dia 10 de julho às 21h, o espetáculo Kavka* – Agarrado nun traço a lápis. O solo, com o ator Ricardo Puccetti, direção de Naomi Silman, cenários de Maxim Bucharetchi e música original do israelense Uri Frost, estreou em 2007 em temporada em Campinas (cidade onde o Lume Teatro está sediado).
Posteriormente passou pelo Sesc Santos, Sesc Santo André e Festival Internacional de Rio Preto, Festival Internacional de Londrina e Festival do Palco Giratório de Porto Alegre. O espetáculo aborda uma noite imaginária na vida de Franz Kafka, na qual o escritor, morrendo de tuberculose em seu quarto-cela, dedica-se uma vez mais à sua grande obsessão: a escrita. Solitário e desconectado do cotidiano que o cerca, ele mergulha em seu mundo interior onde vive entre as palavras. Sabendo que está próximo do fim, revisita partes de sua obra, reencontra algumas de suas personagens e histórias de sua vida, além de insistir em escrever um último conto.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Viva o Lume, viva a Alessandra...




Viva o grupo Lume de Teatro

Fundado há quase 25 anos por Luís Otávio Burnier (1956 - 1995), o grupo Lume criou desde então mais de 20 espetáculos, dos quais muitos ainda são apresentados mundo afora.
Barão Geraldo, local da sede do grupo, tornou-se um pólo teatral no Brasil dos mais importantes.... que faz intercâmbios com artistas diversos, grupos e mestres da cena teatral mundial, em diálogos entre diferentes modos de se fazer e pensar o teatro.
As pesquisas do Lume são muito bem embasadas... e dizem respeito ao homem e suas relações, corpo e dimensão interior, via treinamento e representação, o desenvolvimento de técnicas pessoais de representação para o ator, que extrapolem os limites da expressão física e vocal; a construção de espetáculos de forte expressividade e capacidade de interação com o público, que se adaptam tanto ao palco italiano tradicional como também aos espaços abertos e não convencionais, colocando o ator em contato direto com o público, em ruas e praças.
Muito eu poderia falar aqui sobre este grupo, que hoje é um dos mais poéticos da cena teatral do país... mas ainda ia ser pouco. Nunca me esqueço do momento em que vi em cena os palhaços Carolino e Teotônio no espetáculo Cravo, Lírio e Rosa, nos anos 90. Duas figuras que compunham situações ridículas e delicadas com seus jogos e gags, danças e duelos. Depois vi Parada na Rua, Sopro, entre outros, até que me tornei cliente do grupo.
Há alguns dias, recebi um informatico do Lume que dizia assim...
"Após o sucesso do lançamento do projeto Casa Lume, em PortoAlegre, entramos em pequena temporada internacional, que commuita alegria compartilhamos com vocês.
A X Mostra de Teatro de Santo André, em Portugal, aconteceuentre os dias 15 e 31 de maio e recebeu os espetáculos do Lume,"Cravo, Lírio e Rosa", "La Scarpetta" e "Cnossos". "Cnossos" foiovacionado, "La Scarpetta" teve bis e "Cravo, Lírio e Rosa" emocionou aplatéia que, em conversa com os atores após apresentação,mostrou-se impressionada pela técnica refinada e curiosa arespeito da história do Lumee seus processos de criação.A conversa com o público foi uma prática adotada após cadaespetáculo e houve ainda encontros com artistas locais,acompanhamentos de ensaios de grupos portugueses e um pequenoworkshop de nove horas ministrado por Ricardo Puccetti. (www.gatosa.com).Os laços com Portugal estão se estreitando e, ainda em junho,Renato Ferracini participará de um Projeto na Universidade deÉvora intitulado "A Busca do Ator", no qual realizará umencontro teórico-prático com professores dos Estados Unidos, Russia e Portugal. Participarão alunos-atores da Universidade de Évora, do Conservatório deLisboa, da Universidade do Algarve e a alguns atores e atrizesprofissionais de Portugal.De Portugal, Carlos Simioni embarcou para a sede do Odin Teatretem Holstebro, na Dinamarca, para participar da comemoração dosvinte anos do Projeto Vindenes Bro (A Ponte dos Ventos), do qualé membro desde sua criação em 1989. O projeto foi criado e é orientadopor Iben Nagel Rasmussem.O ator Jesser de Souza encontra-se na Polônia desde o dia 30/05,onde ministra um workshop para estudantes de teatro da cidade deBytom e aguarda a chegada dos outros atores do Lume, que seencontrarão em terras polonesas, vindos de Portugal, Dinamarca e Brasil parajuntos ocuparem o palco da sala "To Tu" do Centro Cultural deBytom (BECEK) com mais uma apresentação internacional de"Shi-Zen, 7 Cuias".A apresentação será no dia 05/06 e fará parte do TeatromaniaTheatre Festival, em sua décima primeira edição. (http://www.teatromaniafestiwal.pl/).E o Lume Teatro seguirá com intensa programação em junho, apósretorno da Europa, com o espetáculo "Sopro", no Teatro José deAlencar em Fortaleza, continuação das comemorações dos dez anosdo espetáculo "Café com Queijo", dentro do ProAC, com apresentações em EspíritoSanto do Pinhal, Limeira, São Caetano e outras, e ainda aparticipação de Renato Ferracini no I Encontro Internacional deArtes Cênicas da UFSC, em Florianópolis".
Fiquei emocionado ao saber que iam se apresentar em Pinhal, na minha cidade, que praticamente se esqueceu das artes teatrais. E mais contente fiquei quando soube que a apresentação seria no espaço maravilhoso da minha amiga Alessandra Fillipe. Na raça, ela abriu um teatro super bacana, por acreditar na importância da aproximação das artes com o público, principalmente do interior, onde até cinemas estão fechando suas portas ultimamente.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Delicatessen

Você nunca conhece realmente as pessoas. O ser humano é mesmo o mais imprevisível dos animais. Das criaturas. Vá lá. Gosto de voltar a este tema. Outro dia apareceu uma moça aqui. Esguia, graciosa, pedindo que eu autografasse meu livro de poesia, "tá quentinho, comprei agora". Conversamos uns quinze minutos, era a hora do almoço, parecia tão meiga, convidei-a para almoçar, agradeceu muito, disse-me que eu era sua "ídala", mas ia almoçar com alguém e não podia perder esse almoço. Alguém especial?, perguntei. Respondeu nítida: "pé-de-porco". Não entendi. Como? "Adoro pé-de-porco, pé-de-boi também". Ahn... interessante, respondi. E ela se foi apressada no seu Fusquinha. Não sei por que não perguntei se ela gostava também de cu de leão. Enfim, fiquei pasma. Surpresas logo de manhã.
Olga, uma querida amiga passando alguns dias aqui conosco, me diz: pois você sabe que me trouxeram uma noite um pé-perna de porco, todo recheado de inverossímeis, como uma delicadeza para o jantar? Parecia uma bota. Do demo, naturalmente. E lendo uma entrevista com W. H. Auden, um inglês muito sofisticado, o entrevistador pergunta-lhe: "O que aconteceu com seus gatos?" Resposta: "Tivemos que matá-los, pois nossa governanta faleceu". Auden também gostava de miolo, língua, dobradinha, chouriços e achava que "bife" era uma coisa para as classes mais baixas, "de um mau gosto terrível", ele enfatiza. E um outro cara que eu conheci, todo tímido, parecia sempre um urso triste, também gostava de poesia... Uma tarde veio se despedir, ia morar em Minas... Perguntei: "E todos aqueles gatos de que você gostava tanto?" Resposta: "Tive de matá-los". "Mas por quê?!" Resposta: "Porque gatos gostam da casa e a dona que comprou minha casa não queria os gatos". "Você não podia soltá-los em algum lugar, tentar dar alguns?" Olhou-me aparvalhado: "Mas onde? Pra quem?" "E como você os matou?" "A pauladas", respondeu tranqüilo, como se tivesse dado uma morte feliz a todos eles. E por aí a gente pode ir, ao infinito. Aqueles alemães não ouviam Bach, Wagner, Beethoven, não liam Goethe, Rilke, Hölderlin (?????) à noite, e de dia não trabalhavam em Auschwitz? A gente nunca sabe nada sobre o outro. E aquele lá de cima, o Incognoscível, em que centésima carreira de pó cintilante sua bela narina se encontrava quando teve a idéia de criar criaturas e juntá-las? Oscar, traga os meus sais.
( Crônica de Hilda Hilst para o Correio Popular de Campinas-SP, em março de 1993)

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Eu gosto dos que ardem


Mesmo que eu não queira ir a Parada Gay, ela vem até mim.. entra pelas janelas de meu apartamento, invade a sala... pois moro numa rua de onde avisto a caravana passar e ouço o tumtumtum dos caminhões de som dentro de casa. Tudo balança, abajures, quadros, livros, plantas, pratos, xícaras, como se tivesse sendo invadido por um terremoto.
Este ano resolvi, porém, acompanhar o off Parada, ou seja, a programação cultural intensa que tem como tema as diversidades do movimento LGBT.
Um dos programas que mais banacas se anunciava aconteceu hoje - Cinema na Matilde... o crítico de cinema da Folha de S. Paulo Christian Petermann convesou a sobre a produção cinematográfica LGBT na Cozinha da Matilde - um restaurante improvisado e muito simpático na casa de uma chef de cozinha, na Vila Madalena. Em clima descontraído e informal, o jornalista fez umaapresentação ilustrada (com cenas selecionadas de filmes) sobrelongas-metragens, profissionais e temas que mostram representatividade e a inclusão dramática do homossexual na Sétima Arte.
Ao mesmo tempo que ele mostra seus filmes, Letícia Massula, as mãos gastronômicas por trás da Cozinha da Matilde, colocou à disposição pequenos quitutes para acompanhar a noite, de caldos e porções variadas ao já famoso brigadeiro de colher.
Outro programa cultural que pensei em fazer foi participar do Festival do Orgulho Gay realizado pela Livraria Cultura do Conjunto Nacional, com exibição das animações "A Descoberta de Luke" e "Homo Erectus", leitura de poemas homoeróticos e apresentações musicais, além de debates sobre cultura e diversidade sexual na cultura do século 21.
Havia ainda várias opções de peças na cidade com temática da diversidade sexual.... "Eu te amo por 48h" traz um executivo casado, transtornado e preconceituoso e uma telefonista sensível, corajosa e travesti que vivem uma tensa e comovente relação (Teatro Studio 184, na Praça Roosevelt, 184); "Os Cantos do Hotel" é baseado em poemas do espanhol Federico Garcia Lorca (nO Inflamável: Rua Maria Borba, 87); "Segunda Acontece" reúne drags em uma apresentação especial... Divina Núbia, Lady Meteora, Salete Campari e Silvetty Montilla, Dimmy Kieer, Michelly X e Vitória Principal; "O Homem da Tarja Preta", escrito por Contardo Calligaris (colunista do jornal Folha de São Paulo), dirigido pela atriz Bete Coelho, que traz em cena um homem que questiona o real papel do masculino nos tempos atuais (no Teatro Eva Hertz, na Avenida Paulista).
***
Mas ao ver a Parada lá em baixo, se anunciando, nao consegui não descer. Nao consegui ficar aqui em casa e bancar o chique, que vê o populacho passar do camarote. Entao desci e me diverti muitooooo com toda aquela gente. E estava tudo tao colorido e alegre.. E fiquei impressionado com a audácia libertária de algumas travestis sorridentes sem a parte de cima da roupa, mostrando os seios, como se fossem matronas. E tive um insight ao ver estas moças... fiquei pensando como o Brasil ensina o mundo. Como nosso país é uma loucura... uma loucura subversiva, que deixa o planeta todo de boca aberta. Aquelas moças gordinhas, com peitao apontando para o céu.... e vi muita gente rir quando estas moças, muitas, mas muitas delas, passavam pela Consolação... O "público" ria e se calava, constrangido, em seguida, pois , mesmo que sejamos tao free mind, ainda nao estamos preparados para olhar cara a cara os travestis. Mas na parada gay anual, nao tem como nao encará-los.. a sociedade os vê frente a frente.. e mesmo que, entre risos, despreze estas pessoas, ainda assim todos nós (e eu me incluo aqui) sentimos uma pontinha de inveja da atitude libertadora que têm ao botar o peitao na rua, a cara sorridente. Estas travestis, entre outros pardos, sao as tais pessoas meus amigos , entre centenas de outras "bichas chiques", apontam a cada ano, ao comentar a parada: "Só tinha gente feia e pobre", dizem eles, com meio-sorriso. E tenho entao vontade de tacar em suas cabeças o volume do Casa Grande e Senzala... Vcs juram que moram na Suécia, né, finesse? Por que nao se trancou em seu ap do boulevard Saint Germain enquanto esta pobreza toda passeava pelas ruas de SP???... e entre as chiques e os pobres e feios, acho que sou mais do baixo clero... Como diz Adriana Calcanhoto, eu nao gosto do bom gosto, eu nao gosto do bom senso, nao gosto dos bons modos , eu nao gosto.. eu gosto dos que têm fome, dos morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem...